Existe muito amor no mundo.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Eu costumo dizer que você cria os planos, mas é vida quem se encarrega de fazê-los acontecer ou não. 
Tempos atrás, a minha terapeuta sugeriu que eu adotasse um cachorro. O tempo estava passando e já estava mais que na hora de assumir mais responsabilidades (como se as minha responsabilidades diárias fossem poucas). Recusei e disse que ainda não era o momento. Minha vida está de pernas para o ar e adotar um cãozinho agora seria muito injusto comigo e principalmente, com o cão. 

Então que na Sexta-feira da semana passada, quando estava chegando em casa, vi um cachorrinho na porta do prédio, se abrigando da chuva. Pensei em ignorar e passar direto, mas vi o que o pobre animal tremia de frio e resolvi colocá-lo para dentro, na parte coberta, até a chuva passar.  
Acontece que um outro morador chegou logo depois e quando viu o cachorro, tratou logo de colocá-lo na chuva, outra vez. Fiquei com pena e fui buscar o cachorro para passar a chuva na minha casa. Nada além disso. 
Peguei uma toalha, enrolei o bichinho e resolvi secá-lo com um secador de cabelos. Neste momento vi que não era um bichinho, mas uma bichinha. Era linda, embora estivesse com ar de bastante maltratada e parecia ter uma certa idade. 
Coloquei no meu colo, sequei com o secador de cabelos e fiz uma cama improvisada, ao lado da minha.
A cadela, além do manter o rabo entre as pernas o tempo todo, tremia sem parar. Imaginei que era fome e percebi que não tinha nada para oferecer. Foi aí que lembrei que o vizinho também tem cachorro e com toda cara de pau do mundo, bati em sua porta e pedi um pouco de ração. Expliquei a situação e ele gentilmente cedeu ração e um patê, que segundo ele é o amor do cachorros. Ela comeu tudo em poucos segundos e depois bebeu bastante água. 
Já se sentindo um pouco mais segura, ela deitou na caminha improvisada e dormiu feito um anjo, mas notei que continuava a tremer. 
Dia seguinte, resolvi levá-la ao Pet Shop que tem aqui no condomínio. Expliquei para a dona que era uma cadela que eu havia achado na porta do prédio se abrigando da chuva e tudo que aconteceu durante a noite. Disse que não tinha dinheiro para a consulta, mas que contava com a caridade dela para a veterinária olhar, mesmo que superficialmente. Ela ficou um pouco assim, mas como o Pet estava cheio e ela não queria fazer feio, disse que a Veterinária estava muito ocupada e que só seria possível atendê-la no final do dia. Eu disse que ficaria ali, esperando. Foi quando uma outra cliente se ofereceu para pagar a consulta, para que eu não ficasse o dia todo esperando e uma outra se ofereceu para comprar ração. 
A cadela tomou banho, colocou remédio para pulgas e carrapatos e fez um hemograma, porém, a Veterinária suspeitava de alguma doença que só seria possível detectar através de exames mais apurados e consequentemente bemmmm caros. Vendo a minha aflição, ela mandou que eu procurasse a Faculdade de medicina veterinária, porque eles fazem todo o tipo de exame gratuitamente. Acontece que isso foi no Sábado e a Faculdade só funciona de Segunda a Sexta. Fiquei em pânico.
Acontece que Segunda é dia de trabalho e não tinha como levar a pobre cadela para uma consulta. Liguei para o trabalho, menti que não estava me sentindo bem e fui para a Faculdade levar Bolinha (esse foi o nome que escolhi). Apesar de ter esperando por quase três horas para ser atendida, a equipe é muita boa e cuidaram dela direitinho. Foi constatado que Bolinha estava com câncer no útero e que seria preciso operá-la o quanto antes, no máximo em dois dias, ou ela morreria naquela mesma semana.
Eu não conhecia a Bolinha, não era um cachorro que tinha uma história comigo, mas era um pobre animal sofrendo muito e eu senti que precisava fazer alguma coisa para salvá-la. A cirurgia poderia ser feita na Faculdade sem nenhum custo, mas o mais próximo que conseguiram  encaixá-la foi em Fevereiro. Comecei a chorar ali mesmo, na frente de todos. Eu não tinha dinheiro para pagar por uma cirurgia particular e não tinha a menor ideia de como conseguir. 
O veterinário que atendeu a Bolinha sugeriu uma ONG, mas eu teria que pagar pelo menos 500 reais (o custo total era de 2.284,00). Eu não tinha 500 reais e também não tinha cartão de crédito. Foi então que ele, vendo meu desespero para salvar aquele animal que era um total desconhecido pra mim, se comoveu e conversou com um pessoal de uma clínica aí e acertamos a cirurgia para aquele mesmo dia, mas que eu teria que assinar umas promissórias e o que seria um débito de 500 reais a vista, pulou para 800 reais em algumas prestações. 
Em resumo, estou devendo 800 reais para pessoas que não conheço, estou com uma "filha" em recuperação em casa, comprei os remédios no cartão de uma amiga (mais 200 e alguns quebrados) e mesmo bemmm ferrada financeiramente, estou transbordando de alegria por ter salvado esse pobre animal que dá sinais de que já foi muito maltratado. Ela ainda tem muitos problemas para serem resolvidos, mas inicialmente ela precisa se recuperar da cirurgia, o que ela vem fazendo muito bem, para depois eu pensar nos outros problemas.
Além de todos esses acontecimentos, eu ainda estou incomodando o vizinho. Como eu passo o dia todo fora, eu deixei a chave de casa com ele e pedi para ele ir lá ministrar os remédios e fazer o curativo no lugar dos pontos, coisa que ele vem fazendo alegremente.
E toda essa lição que eu tive, de encontrar generosidade em pessoas que eu não conhecia, que nunca tinha visto na vida, como as pessoas do Pet Shop, o Veterinário da Faculdade e o pessoal da clínica, me fez perceber que existe, sim, muito amor e solidariedade no mundo..só é preciso compartilhar.
Agradeço de coração todas essas boas pessoas que Deus colocou no meu caminho, porque se a Bolinha está viva hoje, foi pela bondade dessas pessoas que juntaram num momento tão confuso para todos nós.
Eu não sei como vou pagar essa dívida com a clínica, mas venho pedindo a Deus por uma luz. No momento, estou pensando em fazer um bazar (já que tenho uma certa "experiência" com isso) para arrecadar algum dinheiro. Se algum leitor quiser ajudar, será muito bem vindo. É só falar nos comentários que eu faço rapidinho uma página no Facebook com as peças. ;)

E agora, as fotos do presente que Deus colocou no meu caminho em um dia chuvoso. 

Antes da cirurgia
 Durante a cirurgia
Depois da cirurgia


*Existe muito amor no mundo. Só é preciso compartilhar. 

Frase extraída do filme Incondicional, um filme belíssimo, por sinal. 



2 Contando um conto e aumentando um ponto.:

  1. Ohhhhhhhh meu Deus.... Fiquei muito, muito comovida. Todas essas pessoas foram realmente anjos, mas antes de todas elas você! Quantas pessoas botam um cachorro de rua assim para dentro de casa?? Então você esta de parabéns *-* Desejo tudo de bom a você e que a Bolinha se recupere bem e supere todos os problemas que ela tiver que evitar :)
    Grandes beijos

    fantasiand-o.blogspot.com

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  2. Ai, que linda história, fiquei comovida - e com muita peninha da bolinha! tomara que ela se recupere logo e seja feliz, amo muito os animais e se morasse mais próximo tentaria te ajudar de alguma forma... parabéns pela sua atitude!

    Beijos!
    Clá |blog uma garota carioca|

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