Muitas histórias e um só cabelo. Parte II

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Passada a vergonha da minha mãe gritando em praça pública e a dor de ter todo meu cabelo reduzido a nada, eu ainda não sabia, mas precisava enfrentar o pior monstro: a escola.

Adolescente + escola pode ser o resultado de uma das maiores crueldades da humanidade. Porque sim, adolescente é cruel quando quer. Principalmente quando há uma necessidade de ser mais que os demais.

Eu não sabia o que era, mas a partir daquele dia eu conviveria com os primeiros sinais do Bulliyng. Embora ninguém ali tivesse a necessidade ou mesmo a intenção de ser cruel, a verdade é que, quando se quer ser destaque ou engraçado da turma, o popular, as pessoas fazem coisas que provavelmente se arrependerão na vida adulta.

É engraçado essa relação com o cabelo e o estrago que ele pode causar. De repente, parece que toda raiva reprimida que as pessoas sentiam de mim fora colada para fora em forma de zoar o meu cabelo.

Foram muitos apelidos. Foram muitas as brincadeiras sem graça. Perdi as contas das piadinhas que ouvi, algumas bem desagradáveis, e tudo por conta de um cabelo cortado.

O meu aniversário estava chegando e as pessoas da sala resolveram fazer uma festinha de aniversário para mim. Ainda dotada de toda inocência infantil, eu acreditei que aquela festa seria a minha redenção e que na verdade as pessoas haviam percebido que eu era uma pessoa legal e que não valia a pena implicar comigo por causa do corte do cabelo, e, principalmente, porque elas perceberam o quanto aquilo me fazia sofrer.
Ledo engano.

No dia do meu aniversário, um grupo de alunos pediu licença a professora e se dirigiu a frente da classe para me parabenizar. No lugar do tradicional "parabéns pra você", cantaram a plenos pulmões: " Maria sapatão, sapatão, sapatão. De dia é Maria, de noite é João."

TODOS ACHARAM ENGRAÇADO. TODOS, INCLUSIVE, A PROFESSORA.

Eu fiquei paralisada, com aquela cara de quem não entendia os motivos de fazerem aquilo comigo. Aí veio o presente..que nada mais era do um pacote de presilhas para colocar no cabelo, uma calcinha e um sutiã, para eu lembrar como era ser mulher.

Chorei imóvel. Não conseguia xingar, gritar, correr ou expressar qualquer tipo de reação. Eu só chorava, olhando para os rostos dos meus "amigos" rindo de mim.
Até que uma delas percebeu que a "brincadeira" havia passado do limite e me tirou da sala. 

Foi uma sensação bem ruim para descrever com exatidão. A única certeza que tenho é que esse episódio contribuiu e muito para a depressão que apareceu anos depois.

E pensar que tudo isso começou lá atrás, com uma adolescente que queria apensar mudar um pouco o cabelo e ter um pouco de autoestima.



3 Contando um conto e aumentando um ponto.:

  1. Nossa...brincadeira mais sem graça, hein!
    Adorei seu blog, ele é lindo!

    Bjos!

    ResponderExcluir
  2. Poxa vida, que história! Sua mãe foi muito radical com esse corte, ein? Desculpa, mas que tipo de mãe faz isso, gente? Aff.

    É impressionante como situações tão mínimas e REPARÁVEIS (cabelo cresce!) podem destruir a nossa auto-estima e ainda nos deixar uma bagagem pesada!
    Eu sofri rejeição quando cheguei na cidade que moro hoje porque era baixinha, gordinha e usava óculos, mas eu não me abatia muito, sabe? Sempre tive isso de me fechar no meu mundo e ser feliz lá, até que apareceram amigos que posso contar até hoje. Isso quando eu tinha 9 anos e hoje tenho 20!

    Espero que você esteja se sentindo melhor, flor.

    Beijos =)

    ResponderExcluir
  3. AAAAAAAAAAAAF. que palhaçada hein?
    Nunca gostei desse tipo de brincadeira... mas também meio que já sofri bullying.

    E olha, tem gente que fica tão charmoso com cabelho curtinho. Adolescentes são babacas né?

    Beijos

    www.kvcomvoce.com

    ResponderExcluir







Design e código feitos por Julie Duarte. A cópia total ou parcial são proibidas, assim como retirar os créditos.
Gostou desse layout? Então visite o blog Julie de batom e escolha o seu!